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domingo, 18 de julho de 2010

Grafite intervenção urbana




   A arte do grafite é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. A definição mais popular diz que o grafite é um tipo de inscrição feita em paredes, dessa maneira temos relatos e vestígios do mesmo desde o Império Romano. Seu aparecimento na idade contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas maarcas nas paredes da cidade, algum tempo depois essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos.
O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas.
O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros por sua vez não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro, o estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.

Muitas polêmicas giram em torno desse movimento artístico, pois de um lado o grafite é desempenhado com qualidade artística, e do outro não passa de poluição visual e vandalismo. A pichação ou vandalismo é caracterizado pelo ato de escrever em muros, edifícios, monumentos e vias públicas. Os materiais utilizados pelos grafiteiros vão desde tradicionais latas de spray até o látex.

Obra do Estúdio Colletivo, na Rua Amauri, esquina com Av. Brigadeiro Faria Lima
Obra de arte de Rui Amaral, na Av. Paulista, 568

Ilustração da dupla Mulheres Barbadas, na Rua da Consolação, 2.208
Os 3 primeiros não são pinturas
MehdiGhadyanloo2
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O Brasil, representado em especial pela cidade de São Paulo, está entre os três principais centros de produção de grafite do mundo. Criativos, esses artistas de vanguarda surpreendem com seus traços e as cores de seus desenhos ousados.
Muitos grafiteiros brasileiros são famosos e respeitados fora do país, entre eles estão: Os Gêmeos (os irmãos Otavio e Gustavo), Binho Ribeiro, Nina Pandolfo, Nunca, Tinho, Pato e Flip, entre outros.
Muitas industrias já perceberam o valor e o poder desses artistas e passaram a usar a estética do grafite em campanhas publicitárias. A exemplo: Nike, Nescau, Puma, Bank Boston, Skol, Ellus.


Para se ter uma ideia do tanto que o grafite brasileiro é respeitado no mundo, ano passado, Tinho, Pato, Flip, representantes do movimento do grafite em São Paulo, participaram da exposição Street Art Brazil em uma galeria de arte em Londres. Nina Pandolfo, Nunca e Os Gêmeos, pintaram a parede externa do Castelo de Kelburn, em Ayrshire, Escócia.
Conheça agora alguns grafiteiros famosos e seus grafites:



http://midias.gazetaonline.com.br/_midias/jpg/2014/05/27/aviao_selecao_brasileira_decorado_os_gemeos_divulgacao_630_min_cb-1379688.jpg




Os Gêmeos

Grafite de Os Gêmeos é chamado de 'terrorista' nos EUA

Moradores de Boston pedem retirada do mural 'The Giant of Boston' da cidade


A diretora do museu, Jill Medvedow, minimizou a controvérsia.

"Esta obra de arte é um alegre acréscimo ao horizonte de Boston. Com tremenda maestria de escala, habilidade na pintura e padronização vibrante, os Gêmeos trazem energia urbana e uma rica tradição de criatividade brasileira para a Praça Dewey, em Boston. Boa arte faz o povo falar", disse ela.
Arte e interpretação


Após terminarem de pintar um mural gigante no prédio do Instituto de Arte Contemporânea de Boston (Massachusetts, EUA), a dupla de artista Osgemeos já deve estar sabendo das interpretações feitas por algumas pessoas que passaram pelo local. “Um islâmico com arma na mão” e “Terrorista muçulmano” foram algumas das muitas postagens feitas na web. A arte tem o lado da interpretação aberta, porém, segundo o curador do museu, Pedro Alonzo, a obra se trata de uma criança de pijama com uma blusa na cabeça.
Mural  'The Giant of Boston', de Os Gemeos, em Boston


Principais gírias e termos usados no grafite:


Tag:  É o nome que e dado a assinatura do grafiteiro.
Bite: Imitar o estilo de outro grafiteiro.
Crew: É o conjunto de grafiteiros que se reunem para grafitar juntos.
Grafiteiro/ Writer: Artista que pinta.
Toy: É o grafiteiro iniciante.
Spot: É o lugar onde é praticado o grafite.


Exemplos de TAGS.

 Causr
Rime
Revok
Raser


links para tags: http://fiveprime.org/hivemind/Tags/graffiti,pyramidwall    http://www.flickr.com/photos/motosoul/

Fita adesiva é arte de rua


O trabalho de Aakash Nihalani. Não por ser colorido ou lúdico – coisas que ele certamente é –, mas por dar à arte de rua uma abordagem diferente e original.
Usando fita adesiva como principal material de trabalho, o norte-americano cria formas geométricas sólidas que, com o auxílio da fotografia, insere de modo surreal em meio à cidade ou ao campo. Os contornos e formas inesperadas que ele usa para transformar o espaço chamam a atenção do espectador de um jeito como poucos fazem:
CÓLEGIO HS - CRICIÚMA - SC 

MARCOS ROVARIS - CRICIÚMA - SC 

 Varios trabalhos de grafiteiros pelo mundo a fora

 Suporte

O que é o suporte na arte??????

É o material usado para você fazer ou demonstrar sua arte. Ex: o suporte da pintura é a tela ou quadro. o suporte do desenho e da fotografia é o papel. o suporte da serigrafia é o tecido, da xilografia é a madeira, da calcografia é o metal Qual o suporte das artes? Se pensarmos, até pouco tempo atrás, poderíamos afirmar que o suporte da pintura seria a tela; do desenho, o papel; da escultura, a madeira ou as pedras... Hoje?!...Hoje o suporte do artista é qualquer lugar.Os antigos suportes das artes continuam a ser usados, mas a arte invadiu todos os espaços, tomou do cotidiano todos os objetos, aproximou-se e apoderou-se do dia-a-dia.O suporte da arte hojeé a experimentação. A arte hoje prima pela ousadia em todos os aspectos. Onde chegariam Pablo Picasso, Salvador Dali, Man Ray e tantos outros, se estivessem vivos hoje.
Alguns suportes para o grafite

ESSE É EM CRICIÚMA - SC 






Banksy dá dez dicas sobre pintura com estêncil em "Guerra e Spray", mas não revela identidade





  • Monalisa segura uma míssel em obra de Bansky presente no livro "Guerra e Spray"
    Monalisa segura uma míssel em obra de Bansky presente no livro "Guerra e Spray"
Ratos, macacos e outros estêncis subversivos do grafiteiro britânico Banksy, como Jesus segurando compras de mercado e Monalisa armada com um míssil, deixam paredes de cidades pelo mundo para estampar as páginas de “Banksy – Guerra e Paz”, lançado no Brasil pela editora Intrínseca.

Traduzido por Rogério Durst, o livro reúne impressões do artista, que escreve quase como em um diário, sobre vida, política, amor e guerra. “É preciso muita coragem para, numa democracia ocidental, se erguer anonimamente e clamar por coisas como paz, justiça e liberdade”, diz em um trecho.

As fotos das obras são acompanhadas por textos curiosos sobre as situações em que ele produziu os grafites. Como quando teve uma “epifania” enquanto se escondia de policiais embaixo de um trem que grafitava e contou para a namorada, que pediu para que ele parasse de se drogar porque fazia "mal ao coração”.

Veja fotos do livro "Guerra e Spray", de Banksy


Foto 2 de 4 - Obra de Banksy pintada no Muro da Segregação, na Palestina, em 2005. O livro narra a conversa do artista com um idoso. O idoso pergunta: "Você pintou o muro, ele ficou bonito". "Obrigado", respondeu Banksy. "Não queremos que esse muro fique bonito, nós odiamos esse muro, vá embora" Divulgação
O livro também tem tom de guia para novos grafiteiros e lista dicas de como fazer um bom estêncil e fugir dos policiais, além de discutir a valorização do trabalho do artista de rua e propor uma nova revolução artística. "Guerra e Spray" é encerrado com um manifesto criado por Banksy e uma foto sua. Claro, sem mostrar o rosto.

Em inglês batizado de "Wall and Piece", o livro foi avaliado com quatro, de cinco estrelas, pelas maiores livrarias do Reino Unido, onde é um dos mais vendidos e onde o artista é considerado um dos mais expressivos da sua geração. 

DEZ DICAS DE BANKSY PARA FAZER UM ESTÊNCIL

1. "Pense fora da caixa, pisoteie a caixa, enfie uma faca afiada nela"
2. "É sempre mais fácil conseguir perdão do que permissão"
3. "Vandalismo irracional pode requerer um pouco de raciocínio"
4. "Com uma lata comum de tinta de 400 ml você faz até 50 estênceis formato A4. Isso significa que
da noite para o dia, você pode se tornar incrivelmente famoso/impopular numa cidade pequena por
apenas dez libras" (cerca de R$ 32,40)
5. "Aplique a tinta spray com moderação no estêncil, a uma distância de 20 centímetros"
6. "Quando se explicar para a polícia, seja o mais razoável possível. Grafiteiros não são bandidos de
verdade. Bandidos de verdade acham a ideia de invadir um lugar, não roubar, e deixar uma pintura
com seu nome assinado uma das coisas mais retardadas que já viram"
7. "O tempo de tornar seu nome famoso sem nenhum motivo já era. A arte cujo objetivo é apenas a
vontade de ser famoso nunca vai fazer você famoso"
8. "A maneira mais fácil de se tornar invisível é vestir um colete fosforescente e portar um pequeno
rádio transistor ligado no último volume. Quando for questionado sobre a legitimidade de sua pintura,
reclame do quanto está recebendo por hora"
9. "Tenha consciência de que sair completamente bêbado e fora de si para uma missão importante
pode resultar em uma arte sensacional e em pelo menos uma noite na cadeia"
10. "Nada no mundo é mais comum que pessoas sem talento e sem sucesso, então saia de casa
antes de encontrar algo que faça valer a pena permanecer lá" 
alerta do livro: “esta obra contém elementos criativos e artísticos do grafite e não tem a intenção de induzir sua prática em lugares em que ela seja ilegal ou inapropriada”.

"Banksy - Guerra e Spray" 
Editora Intrínseca
Preço sugerido: R$ 49,90
240 páginas



Grafiteiros paulistanos transformam bueiros da Barra Funda em obras de arte; veja fotos



Boca de lobo pintada pelo coletivo 6eMeia, no bairro da Barra Funda, em São Paulo


  • Boca de lobo pintada pelo coletivo 6eMeia, no bairro da Barra Funda, em São Paulo

Dupla paulistana transforma bocas de lobo em arte



Foto 15 de 20 - Boca de lobo pintada pelo coletivo 6eMeia, no bairro da Barra Funda, em São Paulo


















Ela cobre uma área de 1.570 m quadrados.
Obra foi feita em praça na cidade de Wilhelmshaven, na Alemanha.
Pintura 3D
Gregor Wosik e três outros artistas criaram esta imagem, que ocupa 1.570 metros quadrados em praça na Alemanha (Foto: MICHAEL BAHLO/AFP). A obra feita na Alemanha representa a arca de Noé e animais em sua volta. A pintura em 3D superou a obra de 1.120 metros quadrados pintada pelo britânico Joe Hill no distrito financeiro de Canary Wharf, em Londres, em 2011.



Felizmente nós vivemos num mundo artístico onde todos os dias as pessoas mostram o seu talento. Ao contrário do que se julga, não são nos programas de televisão que estão de facto os artistas mais talentosos, pelo contrário muitos deles podem ser encontrados ali ao lado, na rua…
A arte de rua tornou-se popular, talvez há uns 20 anos atrás ela fosse vista como vandalismo, mas hoje nós percebemos finalmente que as ruas podem funcionar como uma tela perfeita para o artista criativo. Quer dizer, não há como não gostar de arte de rua, ela é inspiradora, divertida e no fundo serve para alegrar os nossos dias…
Nos últimos anos temos assistido a inúmeras iniciativas artísticas levadas a cabo na rua e 2011 não foi exceção. As imagens que se seguem são de algumas das melhores obras de arte de rua do ano passado, divirtam-se e partilhem-nas com os vossos amigos
http://www.dementia.pt











 Como pintar um vídeo

CANMAN - PEÇAS DE ARTE PARA TODOS

em Urban Art por  em 11 de jul de 2012 às 22:08 | 3 comentários
O termo lata velha jamais terá o mesmo significado. Estas latas velhas são também a tela perfeita para criar arte. Depois de prontas são deixadas na rua, esperando que alguém as leve para casa. É arte feita com os desperdícios urbanos.
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O limite da criatividade humana é proporcional ao da própria imaginação. Não sei quem disse esta frase, mas também não é isso que interessa! Na arte urbana (e não só) as telas e materiais criativos podem ser tão diferentes quanto originais.
O artista que vos apresento gosta de usar latas para criar a sua arte. São latas comuns, podem ser latas de feijão ou milho. Latas estas que além de esmagadas, tem em si pintadas traços humanos! Confuso? Ainda bem, é caso para dizer o lixo de uns pode ser a base criativa de outros.
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O artista My Dog Sighs, tem um projecto que remonta a 2002. Inserido no projecto "Free Art Friday”, é possível encontrar (principalmente) nas ruas de Portsmouth em Inglaterra, uma destas lata que sofreu um makeover por parte do artista. Estas latas são depois deixadas na rua, à espera que algum transeunte a decida levar para casa.
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Tudo começou após o nascimento do seu filho. Artista de rua habituado à liberdade, começou a sentir-se com um complexo de Peter Pan. Foi ao mesmo tempo a maior alegria que teve na vida, mas adicionou à sua vida o peso da responsabilidade. Durante algum tempo a sua maneira de expressar este conflito interno, foi procurar novas formas de expressar a sua arte na rua, mas daí surge um novo conflito, a culpa (e o receio) por estar a vandalizar a propriedade alheia. Aqui faz-se um click, ele já não era apenas o artista enquanto artista, quando era interpelado pela polícia não seria só ele o único implicado, existia uma criança pequena que dependia dele, havia muito mais em risco a partir daquela data.
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Depois de muito procurar, encontrou numa lata velha e esmagada o seu novo terreno de intervenção. Começa aí a desenhar-se o esboço, do que mais tarde viria a ser o projecto “Free Art Friday” .
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Discutir o que é arte é quase tão irrelevante, como discutir o sítio onde ela é feita ou está exposta.
As peças podem estar confinadas a quatro paredes ou então pertencer a um milionário que as tem fechadas num cofre dentro de uma caixa forte, ou simplesmente pertencer ao Jonas, ao Pedro ou à Liliana, a uma pessoa comum.
E é este último grupo que pode beneficiar das peças artísticas de My Dog Sighs. Pode ser uma criança de 10 anos que a leva para casa, um advogado que a decide colocar o seu escritório, um estudante que ia desgostoso a pensar na nota negativa que tirou na escola. É a arte eclética, pelo menos na pertença das peças.
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A série Canman já leva 10 anos, e mais de 100 latas intervencionadas. Esta tela urbana é simples de encontrar, é gratuita, e ouso até dizer que é a reciclagem no mais puro conceito do termo. Dar uma nova vida a um objecto, que já cumpriu a função para o qual havia sido criado!
Todas as peças são únicas, e segundo o artista nunca são criadas de uma forma premeditada, dependem do seu estado de espírito, ou até mesmo do desenrolar do processo de criação. Mas todas têm algo em comum, um cunho melancólico. Desta forma, talvez o artista consiga criar em quem passa, a vontade de adoptar uma destas latas.
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É arte urbana sem vandalização da propriedade privada. Mas nem só de rua se faz este tipo de arte, e o artista já tem previstas várias exposições. Até Abril de 2013 a série “Canman” pode ser vista em galerias por todo o Reino Unido.
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Acaba por ser um sonho para este artista de rua, que tem também o desejo de percorrer o mundo à procura de latas originais e próprias de cada região.
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O conceito de “Free Art Friday” já é usado pelo mundo inteiro, e são vários os artistas que utilizam materiais de rua para criarem a sua arte, que depois é deixada para que possam ser levadas por quem passa.
É caso para dizer…é preciso ter lata!
Conheça mais do artista.

Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/vida_alternativa/2012/07/canman---pecas-de-arte-para-todos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+OBVIOUS+%28obvious+magazine%29#ixzz20XwbUcwn


Grafite literalmente verde – Artista usa água para criar grafite em parede com musgos

22 dez 2011 - Por Guilherme Augusti Negri em Arte e Design
O artista belga Stefaan De Croock conhecido como Strook utilizou uma lavadora de alta pressão para criar um grafite em uma parede cheia de musgos.
O resultado é super bonito e o mais bacana foi que o artista improvisou o desenho na hora! Ótima idéia não?






Muito bacana =))
Pichação volta à Bienal pela porta da frente












Responsáveis pelos ataques ao evento de 2008 ganham espaço na próxima edição para debater o "pixo"

Guss de Lucca, iG São Paulo 15/06/2010 06:31

Foto: Augusto Gomes
"Sabemos que somos artistas, se quiserem reconhecer ou não, é problema de vocês", diz o pichador Djan
No último dia 1 a curadoria da 29ª Bienal de Artes de São Paulo anunciou os 148 nomes que participarão do evento, a ser realizado no Parque do Ibirapuera a partir de 25 de setembro. Na ocasião, o trabalho denominado "Pixação SP" causou comoção entre os jornalistas presentes na coletiva.
Desta vez, o grupo responsável pelos ataques à Bienal anterior, que resultaram na prisão da gaúcha Caroline Pivetta da Mota, vai entrar pela porta da frente, com direito a apresentar registros de seu trabalho e abrir debates que visam defender a pichação como uma expressão artística.
De acordo com Moacir dos Anjos, um dos curadores-chefes do evento, os pichadores foram incluídos nesta edição por questionarem "os limites usuais que separam o que é arte e o que é política - uma questão que interessa muito ao projeto curatorial desta Bienal". O tema central desta edição, "Há sempre um copo de mar para um homem navegar", é a relação entre arte e política.
Na coletiva de imprensa, o outro curador-chefe, Agnaldo Farias, já havia explicado que jamais convidaria os pichadores para pichar a Bienal, atitude que viria a ferir o princípio do trabalho que, em suas palavras, "não é domesticado".

Foto: AE
Moacir dos Anjos, curador chefe do evento: "Nem tudo que é arte a Bienal é capaz de abrigar ou de entender plenamente"
"Para tanto, pretendemos fazer uso de estratégias diversas de documentação (fotografias, vídeos, coleções de tags) e de discussão. Estratégias que não se confundam com o "pixo" propriamente dito, já que este só existe como tal nas ruas. Mas que evoquem, desde o interior do mundo da arte, o fato de que nem tudo que é arte a Bienal é capaz de abrigar ou de entender plenamente", afirmou Moacir. "Pixo", com X, é a grafia adotada pelos pichadores para definir seu trabalho.
Procurado pelo iG, o pichador Djan Ivson, de 26 anos, um dos responsáveis pelos ataques ao Centro Universitário Belas Artes e à 28ª Bienal de São Paulo, ambos ocorridos em 2008, aceitou conversar sobre a participação do "pixo" na exposição deste ano.
Como surgiu o convite para que o grupo responsável pelos ataques de 2008 participasse desta Bienal?
Esse convite foi feito por intermédio do Ministério da Cultura. Fomos procurados após os ataques de 2008 e a gente vem mantendo esse diálogo, porque a nossa luta na realidade é de legitimar a pichação como cultura brasileira, mas sem tirar nada da essência dela.
Essa pichação, a escrita protestante, começou na revolução estudantil, mas a pichação de São Paulo é um movimento distinto desses protestos só de cunho político ou de frases poéticas. Ela é diferenciada disso, pois tem uma estética única e a forma de apropriação na cidade é diferente. Tem um conceito tanto estético como de apropriação. Existem várias modalidades na pichação.
Então tudo nasceu de uma proposta do Ministério da Cultura?
A sugestão foi do Ministério da Cultura. Começamos a trocar e-mails com os representantes da Bienal. Foi delicado para nós e para eles encontrar uma forma de fazer isso sem se submeter.
Os curadores do evento disseram que o "pixo" será enfocado em outros registros que não a pichação em si: imagens, fotografias, vídeos e debates sobre o tema ocorrerão durante a Bienal. O que você acha disso?
Se a sociedade está interessada em ouvir a gente, estaremos lá para falar. Sem querer apaziguar, sem querer dar uma de bonzinho. A gente sabe o que a pichação representa, sabe que incomoda muita gente, mas esse é o nosso papel. A gente vê a cidade como suporte para nossa arte, sem restrição. Esse conflito vai existir sempre.
Estaremos lá para debater o que a sociedade quiser. Principalmente quem consome arte. Só quisemos levar para o campo da arte por que o assunto não existia. Desde o TCC (trabalho de conclusão de curso) do Rafael [Guedes Augustaitiz] na Belas Artes, a invasão da Bienal, os atropelos do grafite, tudo isso faz parte dessa contestação do privado. Falam que fomos contra a Belas Artes, contra a Bienal... Não tem nada de contra no que a gente faz. Só estávamos levantando a bandeira da pichação dentro do circuito. Nossa busca é essa. Só estamos legitimando. Sabemos que somos artistas, se quiserem reconhecer ou não, é problema de vocês. Mas a gente existe. O que fizemos foi um grito existencial no circuito das artes. Estamos aqui, queiram vocês ou não.

Foto: AE

Pichações no Centro Universitário Belas Artes: ação fez parte do trabalho de conclusão de curso de um aluno
Então logo no início já foi definido que não haveria razão para ocorrer pichações nesta Bienal. Afinal, de acordo com a curadoria, trata-se de uma ação que normalmente ocorre sem autorização, e do contrário perderia o sentido. O que o grupo pensa a respeito disso?
Ia ser muito vazio. Só reproduzir a estética do "pixo" lá dentro ia ser uma cópia da pichação, uma representação estética. Na última Bienal foi dentro do nosso contexto, de forma ilegal. Já tínhamos negligenciado esse espaço de certa forma. A ideia era chegar a uma fórmula que nos permitisse levar essa expressão lá para dentro de forma que não fosse perder sua essência.
Nossa participação é de forma documental, porque nosso papel é contestar o privado. Pichação é arte libertária, se apropria do que for sem ter restrição. Se tivesse algo autorizado não seria interessante. Seria chato.
No dicionário, pichação está escrito com CH e nas ruas é normalmente escrito com X. Como é que vocês explicam isso?
Esse é um detalhe que diferencia a "pixação" paulista das outras. Ela subverte até a língua portuguesa. A gente reinventou a língua. Tem códigos próprios como, por exemplo, o pessoal que picha "A Galera" escreve "Hlera", ou há quem piche "Caras" com C e "Karas" com K.
No meio da pichação se criou uma linguagem em que cada um cria sua regra. Se você falar que aquilo ali está escrito, está escrito e pronto. Cada pichador tem sua liberdade. Não só na estética como na escrita, na junção da pronúncia da palavra.

Foto: Augusto Gomes

Fachada do edifício São Vito, no centro de São Paulo: prédio sofreu diversas intervenções de pichadores
Dizem que há uma rixa entre pichadores e grafiteiros, principalmente pelo reconhecimento artístico do grafite. Ela existe?
A rixa não é em relação ao reconhecimento que o grafite teve, é mais uma disputa por território que vem sendo cobrada por parte dos grafiteiros. Isso na rua. O que vai pra galeria, o que eles estão vendendo, isso pra gente pouco importa.
A questão é que o grafite no Brasil se tornou um antídoto da pichação. A sociedade começou a usar o grafite para combater a pichação. E boa parte dos grafiteiros se omitiu.
O espaço foi conquistado pela galera do "pixo" e o grafiteiro vai lá, com autorização, e grafita. O conceito do grafite é ilegalidade, mas tem gente que acha que é só decoração. O verdadeiro grafite é ilegal, totalmente ilegal. O que ocorre é um movimento inspirado em grafite. Se for autorizado não temos a obrigação de respeitar.
Isso quer dizer que nenhum dos pichadores espera ter algum reconhecimento artístico ou mesmo financeiro?
Se vier a acontecer pode ser uma consequência, mas não é o objetivo. Ninguém começa pichando com essa pretensão. Acho que o trabalho do pichador como artista representa muito mais do que o trabalho de outras pessoas que se dizem artistas por aí. Depois que o Duchamp colocou o urinol na exposição dele tudo virou arte, qualquer porcaria virou arte. O verdadeiro conceito da arte é transgredir, contestar, ser livre. Em minha opinião, atualmente só vejo os pichadores fazendo arte dessa forma. Sem desmerecer o conceito de ninguém, não tem outra pessoa fazendo arte desse jeito.

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Arte: interagindo com o espaço (ideia fixa)

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