terça-feira, 30 de outubro de 2012

BONECOS DE PAPELÃO



A arte reciclada de Golzad, nomeada de Crianças Invisíveis, surgiu de uma intensa e forte afinidade que o artista possui por crianças traumatizadas e que sofrem abusos. Para ele, a situação dessas crianças é desconhecida pela sociedade, o que o faz questionar quão civilizados realmente somos. Golzad considera essas crianças invisíveis.
O material utilizado para criar os retratos de baixo-relevo das crianças é o cartão canelado. Golzad diz que, como o cartão canelado, as 20 mil crianças estão em todos os lugares e mesmo assim são invisíveis. O objetivo do artista é criar artes que despertem emoções de estranhamento e anomia.







Mais informações aqui: Ali Golzad

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Musicalização Infantil - Instrumentos Musicais

Ganzá é um instrumento musical de percussão utilizado no samba e outros ritmos brasileiros. O ganzá é classificado como um idiofone executado por agitação. É um tipo de chocalho, geralmente feito de um tubo de metal ou plástico em formato cilíndrico, preenchido com areia, grãos de cereais ou pequenas contas. O comprimento do tubo pode variar de quinze até mais de 50 centímetros. Os tubos podem ser duplos ou até triplos. TAMBOR  

Flauta Doce 03 Asa Branca
   


Pandeiro 
  


 Dragon Ball Music on Piano  

 harpa
   

 Garotinha de 7 anos tocando Guns N' Roses.  

 Crianças Tocando Violão
  

 saxofone (sax)  


 FOLE
   


 BATERIA
   


 VIOLONCELO
   


 CAIXA- REPIQUE 


PIANO
 







CLAVE DE SOL -


 
 
 
 
 


 
 

http://charlezine.com.br/conheca-os-15-instrumentos-musicais-mais-estranhos-mundo/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

body art, body paint, body painting

Rolf Buchholz, the world's most pierced man, attends a tattoo convention in Berlin on August 2, 2014. Buchholz has been barred from Dubai, where he was turned back at the airport on his way to a hotel appearance, a newspaper reported on August 17, 2014. Airport officials gave no reason for refusing entry to the 53-year-old German, who sports 453 piercings plus two horns on his forehead, local daily Al-Emarat Al-Youm said.They put him on a flight to Istanbul, it said. AFP PHOTO / DPA / PAUL ZINKEN +++ GERMANY OUT +++PAUL ZINKEN/AFP/Getty ImagesRolf Buchholz

Rolf tem 55 anos e sustenta o recorde de pessoa no mundo com maior número de piercings implantados. No ano passado ele foi impedido de entrar em Dubai, porque as autoridades acreditaram que ele era um bruxo praticante de magia negra. Ele se apresentaria em um circo temático juntamente com engolidores de espadas e bailarinas burlescas. Rolf é alemão, tem 453 piercings no corpo dos quais 278 estão em torno de sua genitália e 158 em torno dos lábios.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Papai Noel


Quer fazer um papai noel diferente? Use a garrafa pet para criar esse personagem que não pode faltar no final do ano. Veja algumas dicas interessantes para criar essa peça.
COMO FAZER PAPAI NOEL Papai Noel de garrafa pet   Como fazer passo a passo
Passo a passo papai noel (Foto: Divulgação).
Material:
  • Tesoura
  • Garrafa Pet
  • Pincel
  • Tinta colorida
Leia também:

Garrafa Pet

PAPAI NOEL DE GARRAFA PET Papai Noel de garrafa pet   Como fazer passo a passo
Modelo de garrafa de Natal Pet(Foto: Divulgação).
  1. Primeiro escolha uma garrafa de Natal.
  2. Ela pode ser apenas pintada ou recortada como nessa imagem, para servir de porta biscoito.
  3. Limpe bem a garrafa pet.
  4. Pinte uma camada de tinta branca e espere secar.
  5. Em seguida pinte a parte de baixo com a cor vermelha e  também a parte do gargalo da garrafa.
  6. O rosto deve ser pintado com tinta cor de pele.
  7. Em se guida faça os detalhes do cinto e do rosto.

ROMANTISMO

publicado em artes e ideias por 
A França revolucionária teve diversos filhos. Escritores, poetas e pintores, se inspiraram nos ideais – e atrocidades – dos dias de lutas que permearam o fim do século XVIII e começo do XIX. Desses tempos, apenas dois pintores transformaram a revolução do sangue em uma revolução nas artes. De David a Delacroix, a arte francesa nunca mais foi a mesma.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Louis David, "A Morte de Sócrates", 1787.
Jacques-Louis David (1748-1825) e Ferdinand Victor Eugène Delacroix (1798-1863) são dois dos principais artistas que a França já legou ao mundo. Cinquenta anos separam os dois pintores, que marcaram o modo como lemos as revoluções pelas quais o país passou em um curto período de tempo. E principalmente, como seria a arte francesa a partir da obra deles.
O jovem David logo interessou-se por arte. Apesar da influência do estilo rococó, em voga na França, acabou estudando pintura classicista. Posteriormente, entrou para Academia de Roma – renomada escola de artes – onde debruçou-se nos estudos de anatomia das esculturas do período clássico, em Rafael Sanzio e na cor e da luz de Caravaggio.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Louis David, "As Sabinas", 1799.
Retorna a Paris, com status de gênio, e inicia suas primeiras obras-primas de estética neoclássica – estilo com base no Iluminismo e que cultua os padrões da antiguidade clássica grega - de alto teor moralizante. Mais do que mudanças estéticas, David estabeleceu um diálogo entre o real e o ideal. Simpatizante da Revolução, dos ideais republicanos e amigo de Robespierre, David, tornou-se o pintor dos novos tempos que se pretendia para a França.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Louis David, "Leônidas nas Termópilas", 1814.
Em Marat Assassinado em 1793, Davi criou a obra prima da Revolução Francesa (1789-1799). Sob o fundo escuro, em uma banheira coberta por tecidos jaz o corpo de Marat. Pendido para direita de sua mão direita, a pena que tantas vezes foi uma arma e na mão esquerda o bilhete que viera da assassina: “13 de julho de 1793 – Marie Anne Charlotte Corday ao cidadão Marat – é suficiente que eu seja bem infeliz por ter direito a sua simpatia”.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Luois David, "A Morte de Marat", 1793.
A composição trás uma série de presenças testemunhais e significativas na obra, mas sem a estrutura narrativa. David, não narra a história do assassinato. Marat já está morto. Toda a agonia da morte e a traição da jovem não são elementos explícitos. A faca caída e o bilhete são os elementos da existência da assassina. A ferida no corpo de Marat, por onde ainda escorre um leve se sangue e sua cabeça com os olhos fechados e a boca entreaberta pendida para direita assim como seu braço são os sinais da violência.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Louis David, "O juramento dos Horácios", 1784.
Uma cena de simples elementos, os detalhes são ínfimos. O fundo vazio escuro, inspiração tirada dos estudos no mestre italiano Caravaggio, assim como o jogo de claro e escuro. O corpo de Marat possui elementos escultóricos gregos no que se refere aos músculos e tendões tão bem delineados e perfeitos resultado de sua observação e seus estudos de arte da antiguidade. David constrói uma alegoria moral enxuta e rigorosa para os revolucionários.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Louis David, "Andrômeda lamentando Heitor", 1783.
Apesar de ser concebido como um retrato, a obra transcende a ideia de representação, e entra para os domínios da universalidade da arte. O radical Marat, sob o pincel de David, tornou-se um ícone quase religioso para os novos tempos da França.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Jacques-Louis David, "Os litores trazendo a Brutus os corpos de seus filhos", 1789.
Delacroix também nasceu em uma família de posses e no seio da república francesa. Estudou artes nas melhores escolas, frequentou o Louvre – recém-transformado em museu pela Revolução Francesa – e como David, foi amante das obras de Sanzio.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Eugène Delacroix, "A tomada de Constantinopla pelos cruzados", 1840.
Suas primeiras obras giravam sobre temas históricos - e um pouco exóticos -, e com romântica. Entre suas influências estavam Rubens, Veronese, Turner e Géricault. Com eles, Delacroix, desenvolveu sua concepção expressividade através da cor. O que resultou em composições caóticas e cheias de dramaticidade, que não eram vista com bons olhos pela sociedade e ia contra a estética da Academia.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Eugène Delacroix, "A barca de Dante", 1822.
Como David, Delacroix, viveu na França em período decisivo. A sua revolução foi de 1830, que colocava um fim na Restauração. Apesar de nunca ter se envolvido tão diretamente na politica francesa, sua obra prima proveem desses tempos: A Liberdade Guiando o Povo, de 1830.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Eugène Delacroix, "Mulheres de Argel", 1834.
Delacroix não constrói um discurso moral em sua representação, não há criação de heróis ou mártires. É uma pintura de entusiasmo com o acontecimento. Ligado ao movimento colorista e o artista concebe a pintura uma visualidade dinâmica. Sua composição se pauta pelo uso das cores quentes e vivas, requintada, repleta de detalhes e elementos que possuem um caráter solto na pintura e intensificam o caos revolucionário.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Eugène Delacroix, "A Liberdade Guiando o Povo", 1830.
Tudo possui uma medida exata e um lugar certo. Mesmo com o desprendimento dos traços a pintura de Delacroix é pensada. A figura central que segura a bandeira, A Liberdade, mesmo possuindo caráter alegórico é um misto de realismo e retórica. Vestida com as roupas do povo e conclamando-os para a luta. Diversos são os indivíduos que compõem a cena: vivo e mortos, plebeus e intelectuais, jovens e velhos. A composição de Delacroix unifica esses elementos turbulentos na tela. A obra é viva com toda a sua movimentação e elementos dispostos esquematicamente.
arte francesa; romantismo; neoclássico; Jacques-Louis David; Eugène Delacoix; cor; linha
© Eugène Delacroix, "O Massacre de Quios", 1824.
Hoje, tanto Marat assassinado quanto a A Liberdade Guiando o Povo, fazem parte do repertório de todos: seja como inspiração estilística, documento histórico ou objetos de consumo. David e Delacroix deram eternidade as Revoluções de suas vidas.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2012/10/a_revolucao_de_david_a_delacroix.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+OBVIOUS+%28obvious+magazine%29#ixzz2960VU4Xn

IMPRESSIONISMO VINCENT VAN GOGH

Vincent van Gogh foi um herói. Um gênio louco, miserável, dotado de sentimentos e verdade.
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O que dizer de Vincent van Gogh? Eu tenho uma paixão platônica por ele desde os meus sete anos quando tive uma aula de educação artística sobre suas obras e sua vida. Encantei-me e desde então é meu pintor favorito. Tudo que sei sobre arte, todo o meu interesse, toda a minha curiosidade existe por causa dele. É um dos seres mais influentes do mundo e o seu demasiado desejo de ser simplesmente humano vai além de algo comovente.
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Vincent
Vincent van Gogh era epilético, depressivo e colecionava estampas japonesas. É, comecemos assim a falar sobre ele. Nasceu no dia 30 de março de 1853 na Holanda. Era um gênio torturado por sua própria emoção e quando foi diagnosticado como um homem mentalmente afetado viu nisso a oportunidade de sagrar-se, de tornar-se reconhecido. Foi a partir daí que deixou a Holanda para viver em Londres, tendo em mente apenas um objetivo que não era pintar, mas sim pregar a palavra divina, salvar almas, mostrar para os miseráveis que era possível ser feliz se analisassem as coisas mais infames da vida. Esse foi o primeiro fracasso de Vincent. Ninguém se importava com suas palavras. Mesmo sendo um leitor assíduo de Dickens, Shakespeare e Victor Hugo, seus discursos eram fracos. Não bastava sem um grande pensador ou intelectual. As pessoas ao seu redor não ligavam.
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A Pair of Shoes, 1885
Quando tinha 30 anos resolveu largar a bíblia para pintar. Simples assim. Sem nenhum curso, sem nenhuma aula, sem saber manusear um pincel. Tomou essa decisão certo de que através de seus quadros poderia tocar os pobres. Mostrar a eles que seria possível sonhar mesmo vivendo de desgraças. Para Vincent, o paraíso estava nas coisas mais simples como as folhas das árvores, o sol, o vento batendo na cara... Vale lembrar que esses pensamentos otimistas não o livravam de seu temperamento grosseiro, irritável. Foi nesse período que conheceu sua grande musa: Sien, uma mãe sozinha e abandonada, igualmente miserável. Vincent considerava a convivência com ela como uma influência positiva para sua criatividade. Sua família ao saber das condições de vida que ele levava em Londres o rejeitaram, exceto seu irmão Théo que passou a apoia-lo em sua carreira como pintor.
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Sien retratada por Vincent, 1885
Seu primeiro grande quadro é o famoso “Os Comedores de Batata” de 1885. Vincent justificava as cores sujas, os tons escuros e a aparência “amarronzada” do quadro dizendo que queria mostrar que os comedores haviam arrancado as batatas do solo com suas próprias mãos, haviam conquistado aquela refeição através do esforço do trabalho honesto.
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The Potato Eaters, 1885
Logo em seguida, Vincent mudou-se para Paris e sua maneira de pintar também sofreu uma forte influência do espírito otimista parisiense, sendo visível através da presença de mais luz e cores em suas pinturas. Diferenciava-se dos demais impressionistas da época porque retratava a melancolia de Paris, os sentimentos negativos mais intensos como a raiva. Foi nesse período que conheceu Paul Gauguin e então, teve a ideia de unir-se a ele. A união não aconteceu de imediato porque Gauguin retornou para Londres enquanto Vincent permaneceu em Paris.
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Café Terrace at Night, 1888
Em 1888, Vincent partiu para Provença onde teria o ano mais frenético e angustiante de sua vida, tendo ao mesmo tempo a fase mais criativa de sua carreira artística. Foi nesse lugar que ele começou a pintar os campos de trigo e os girassóis, visíveis no quadro “O Semeador”. Vincent costumava definir seus quadros como grandes orgasmos. Curioso ou não, dizia também que transar e pintar muito não combinava, porque tanto uma coisa quanto a outra amolecia o cérebro.
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O Semeador, 1888
Théo resolveu patrocinar Gauguin com a condição de que o mesmo fosse trabalhar junto com Vincent. Mesmo receoso por ter que conviver com ele, Gauguin aceitou a proposta. Vincent não pintava baseando-se em questões estéticas, mas sim na emoção que seria possível passar através das cores selecionadas. Enquanto Gauguin não chegava, ele ansiava pela convivência dos dois e foi ai que surgiu seu vício por absinto. Conheceu nessas mesmas condições a família Roulin. Era uma família feliz, tranquila, normal e que fazia muito bem a Vincent por distrai-lo e tira-lo do modo de viver autodestrutivo. Chegava a dizer que os amava.
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Retrato do carteiro pai de família, Joseph Roulin, 1888
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Sra. Roulin, 1888
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O jovem Armand Roulin, 1888
Gauguin finalmente começou a viver com Vincent, mas a relação dos dois não ficou nada bem depois de um mês. Tinham filosofias artísticas muito diferentes. Enquanto Gauguin considerava o ato de pintar como algo passageiro, uma inspiração que vem e vai, Vincent jurava que pintar era dar todo o suor e trabalho para concretizar algo real, permanente. Sua alta produção, às vezes com direito a mais de um quadro por dia, começou a irritar Gauguin, despertando nele um sentimento de inveja. Tomado por isso, pintou o quadro “Van Gogh pintando girassóis”, algo chulo, representando Vincent com o rosto desajustado, como um simples pintor sentado analisando um vaso. Reduziu a intensidade dele meramente a isso. Quando viu o quadro, Vincent disse que Gauguin havia o retratado como um louco.
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Van Gogh pintando Girassóis por Paul Gauguin, 1888
Com o relacionamento cada vez pior, Gauguin o abandonou numa certa noite para dormir num hotel. Vincent, por volta da meia noite, foi ao seu bordel favorito e entregou para uma das prostitutas um papelote. Nele estava embrulhado um pedaço de sua orelha. Na parte da manhã quando Gauguin resolveu retornar ao estúdio, encontrou policiais e sangue por toda parte. Esse famoso acontecimento levou Vincent a internar-se num hospício, temendo que nunca mais se recuperasse, tendo espasmos de loucura sem cura que o levavam a comer a tinta de seus próprios tubos.
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Autorretrato com a orelha cortada, 1889
No hospício Vincent começou a aperfeiçoar sua pintura. Em 1889 pintou seu último autorretrato e considerou que tentar suicídio era como recuar da margem de um rio ao ver que a água é fria. Théo decidiu manda-lo para Auvers Sur Oise, lugar um pouco distante de Paris, sob a vigia do Dr. Paul Gachet.
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Dr Paul Gachet, 1890
É nessa fase que Vincent começou a revolucionar seu modo de pintar. Sua recuperação chegou a ser cogitada já que era visto vivendo bem, recebendo a visita dos familiares e feliz. Théo acreditava que finalmente seu irmão estava salvo, mas não era isso que realmente acontecia.
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Seu último Autorretrato, 1889
Eis o quadro revolucionário, a grande obra prima de Vincent van Gogh: O Campo de Trigo com Corvos, pintado um pouco antes de sua morte.
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Campo de Trigo com Corvos, 1890
Foi sua primeira obra vendida e reconhecida graças à falta de perspectiva, já que ao observar o quadro não sabemos exatamente para o que estamos olhando, e os corvos que aparentam ora voar para longe, ora voar para perto, além das cores pulsantes. O quadro era um bloco de cor vivo e inaugurou o Modernismo e o Expressionismo.
Vincent estava no ápice de sua carreira, artisticamente lúcido, mas a loucura continuava a destruir seu lado emocional. Não suportava mais os espasmos e acompanhado por isso, surgia a ideia de que sua família havia o abandonado de vez.
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Skull With Cigarette, 1886
Théo o encontrou morto em seu estúdio. Vincent havia dado um tiro no próprio abdômen e já estava completamente inconsciente. Havia cometido suicídio e a tentativa de salva-lo foi em vão. Théo morreu um ano depois por causa de uma doença grave.
Vincent morreu com a esperança de que teria seu trabalho reconhecido pela emoção que sempre depositava em cada pincelada. É revoltante saber que poucos anos depois, seus quadros começaram a ser vendidos por milhões. O importante e, talvez, confortante é ter noção de que pelo menos hoje em dia sua obra é reconhecida e emociona milhares de pessoas ao redor de todo mundo.


IMPRESSIONISMO - PARIS E A MODERNIDADE

em pintura por  em 11 de out de 2012 às 00:18
Retalho do que está rolando na exposição "IMPRESSIONISMO - PARIS E A MODERNIDADE"
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A exposição do momento, pelo menos aqui em São Paulo, é a Impressionismo: Paris e a Modernidade e isso todo mundo sabe. Não é todo dia que a gente pode ver 85 obras diretamente do acervo do Museu d’Orsay com quadros de mestres como Renoir, Monet, Manet, Bazille e Degas! É eu sei que esse papo parece bobeira, mas pra quem tem interesse por Arte, ver o trabalho desses pintores é equivalente a um grande show de rock (a banda eu deixo por sua conta).
O Centro Cultural Banco do Brasil ficou pequeno para tamanha exposição que está distribuída em todos os andares e é dividida a partir de temas opostos como “Paris é uma Festa!” e “A Vida Silenciosa”.
No início você vê obras que não são tão conhecidas, mas que deram um empurrão para que o Impressionismo acontecesse, como o belíssimo quadro de Maximilien Luce “Le quai Saint-Michel et Notre-Dameen ”. O que mais chama atenção é a distribuição de cores e a forma como o pintor utilizou a luz.
Nesse mesmo andar começam a aparecer as estrelas: Monet, Manet e as bailarinas de Degas! A experiência mais incrível que eu recomendo para quem fica frente a frente com os quadros impressionistas, é analisar de perto a distribuição das cores. Parece uma bagunça, cheia de manchas e linhas que você não sabe onde começam e nem onde terminam, mas quando você resolve dar um passo para trás, o fenômeno acontece: tudo aquilo se une numa coisa só!
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Edgar Degas Danseuses montant un escalier, 1886/1890
Muitos consideram o Modernismo como o rompimento oficial entre a arte clássica tipicamente acadêmica e a arte contemporânea. Eu costumo colocar muita fé no fato de que os impressionistas foram os pioneiros nisso. Um exemplo é o quadro “Cena de Festa em Moulin Rouge” do pintor Giovanni Boldini, onde as pessoas são espontâneas, reais e até nos convence de que o pintor vivenciou aquilo como se fosse uma cena cotidiana. Não há alguém posando, nem corpos perfeitos, muito menos um retrato.
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Giovanni Boldini Scène de fête au Moulin Rouge, 1889
Manet, no quadro “A Garçonete com Cervejas”, revoluciona desde o título da obra. Quem, em pleno século 19, imaginaria um ponto de vista TÃO realista e comum? É como se o espectador fosse convidado a participar da cena.

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Edouard Manet La serveuse de bocks, 1878/1879
A grande noção de perspectiva dos impressionistas também fica evidente no quadro “A torre Eiffel” de Louis Hawkins. Um dos quadros que mais chama a atenção durante a visita.
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Louis Hawkins La tour Eiffel, 1889
As coisas começam a ficar animadas com a figura marcante da belle époque francesa: o artista Toulouse-Lautrec. As obras passam a retratar a cultura efervescente da Paris do começo do século 20. Você consegue visualizar o quadro “A Mulher de Luvas” de Lautrec e “A Iluminação da Torre Effeil” de Georges Garen que retrata a inauguração dela na fase em que o barão Haussmann renovou a cidade.
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Toulouse-Lautrec Mulher com Luvas, 1889
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Georges Garen A Iluminação da Torre Effeil, 1889
A presença de Monet e Renoir é extremamente marcante em todos os andares. No decorrer da exposição outro nome fica frequente: Camille Pissarro. Seus quadros são famosos pelos pontilhados coloridos e sua característica mais marcante é a distribuição de pinceladas. De todos os impressionistas, ele era o que entrava com mais cores.
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Camille Pissarro Jeune paysanne faisant du feu, 1888
O objetivo dos impressionistas era simples: mostrar a impressão deles em relação ao que lhes era apresentado. Sim, é óbvio! O movimento levou esse nome justamente porque Monet nomeou um de seus quadros de “Impressão Sol Nascente”.
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Claude Monet Impressão Sol Nascente, 1872
Nessa exposição a gente ainda tem a possibilidade de ver os clássicos do impressionismo como "O Lago das Ninfeias, Harmonia Verde" de Monet, “O Tocador de Pífaro” de Manet, “Ao Piano” de Renoir e “Nature morte à la soupière” de Cézanne. A exposição é quase infinita! Tem muita coisa para ver e se encantar.
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Claude Monet O Lago das Ninfeias, Harmonia Verde, 1899
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Edouard Manet O Tocador de Pífaro, 1866
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Auguste Renoir Ao Piano, 1893
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Paul Cezanne Nature morte à la soupière, 1877
A minha única frustração, é que eles apresentam apenas um quadro do van Gogh, o “La Salle de Danse à Arles” no último piso da exposição junto com alguns outros quadros de Gauguin e Cézanne. Isso faz sentido, já que van Gogh é considerado neoimpressionista porque começou a pintar depois da inauguração do movimento e das exposições independentes da época. A minha dica é essa: não vá com muita expectativa se você, assim como eu, for fã de van Gogh.
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Vincent van Gogh La Salle de Danse à Arles, 1888
Agora, se você não quiser enfrentar a fila de 2h para ver tudo isso ao vivo, ou quiser segurar a ansiedade e esperar mais um pouco, você tem que, NO MÍNIMO, dar uma passeada no site do Museu d’Orsay. Lá têm todas essas obras, além do vasto acervo que lá reside.
http://www.musee-orsay.fr/fr/collections/bienvenue.html
Impressionismo: Paris e a Modernidade – Obras-Primas do Museu d’Orsay

MANET E A OUSADIA IMPRESSIONISTA

em pintura por  em 11 de out de 2012 às 00:02 | 1 comentário
A imagem que aparece é do Caravaggio, mas aqui o assunto será sobre Édouard Manet, o pintor impressionista que inovou a maneira de produzir arte sem precisar se esforçar.
Grandes pintores como o espanhol Diego Velázquez (1599 - 1660) e o italiano Caravaggio (1571 - 1610) são reconhecidos por terem realizado obras com muita profundidade, volume e traços praticamente realistas. São remanescentes da arte renascentista, lembrando que ambos pertenceram a momentos diferentes, no caso do Caravaggio que gerou sua própria categoria: o Caravaggismo.

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As Meninas de Velázquez, 1656.

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Amor als Sieger de Caravaggio, por volta de 1600
É a partir do pintor francês Édouard Manet (1832 - 1883) que a arte passa a romper com o estilo clássico, mas não totalmente como mostrarei mais adiante. Ano passado tive o prazer de fazer algumas aulas com o crítico de arte Rodrigo Naves e ele foi mostrando como Manet soube inovar, sendo um dos principais nomes do Impressionismo.

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Édouard Manet - In the conservatory (1879)
Na época, pintar pessoas de costas, conversando, apoiadas, enfim... Em posições assim, cotidianas, era um alvoroço! Quase uma ofensa à pintura clássica. E se não bastasse isso, Manet resolveu escandalizar quando fez sua versão do quadro A Vênus de Urbino do pintor italiano Tiziano, grande representante da escola renascentista. A inspiração veio daqui:
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A Vênus de Urbino (1538) do italiano Tiziano
E Manet fez a partir dai sua versão, a Olympia:
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Olympia (1863)
Na época o quadro foi considerado um escândalo! Como um pintor poderia se atrever a pintar algo tão ofensivo? Trocar Vênus por uma... Prostituta? Há indícios de que a Olympia fosse uma delas através de elementos como os tamanquinhos nos pés, a negra entregando flores que seria um agrado de algum pretendente e o gato preto. Além de detalhes bobinhos como o lacinho no pescoço. A pintura, quase plana quando comparada com a de Tiziano foi desprezada por muito tempo. Manet tinha essa mania de pegar uma imagem clássica e incorporar em seus quadros impressionistas. Abaixo mais um exemplo:
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O julgamento de Paris (gravura de 1520) – Marcantonio Raimondi
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Almoço na Relva (1863) - Manet
A princípio a gente pode até achar que uma coisa não possui nenhuma relação com a outra, mas veja só o recorte abaixo, destacando um pedaço da gravura inspirada no outro renascentista, Rafael:

Pois é, senhoras e senhores. A questão aqui não é considerá-lo um plagiador, copiador ou qualquer outra coisa do gênero. Quem conhece as obras dele sabe de sua genialidade. O que vale ser reforçado é que além de desconstruir o jeito clássico de se fazer arte, Manet soube como ninguém provocar e ousar na hora de realizar suas obras. Acredito que seja uma grande realização para um artista chocar, causar espanto, ir contra a maré...