domingo, 15 de julho de 2012

Expressionismo - Iberê


VINCENT VAN GOGH: A ARTE EM FORMA HUMANA

em Pintura por  em 31 de jul de 2012 às 20:03
Vincent van Gogh foi um herói. Um gênio louco, miserável, dotado de sentimentos e verdade.
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O que dizer de Vincent van Gogh? Eu tenho uma paixão platônica por ele desde os meus sete anos quando tive uma aula de educação artística sobre suas obras e sua vida. Encantei-me e desde então é meu pintor favorito. Tudo que sei sobre arte, todo o meu interesse, toda a minha curiosidade existe por causa dele. É um dos seres mais influentes do mundo e o seu demasiado desejo de ser simplesmente humano vai além de algo comovente.
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Vincent
Vincent van Gogh era epilético, depressivo e colecionava estampas japonesas. É, comecemos assim a falar sobre ele. Nasceu no dia 30 de março de 1853 na Holanda. Era um gênio torturado por sua própria emoção e quando foi diagnosticado como um homem mentalmente afetado viu nisso a oportunidade de sagrar-se, de tornar-se reconhecido. Foi a partir daí que deixou a Holanda para viver em Londres, tendo em mente apenas um objetivo que não era pintar, mas sim pregar a palavra divina, salvar almas, mostrar para os miseráveis que era possível ser feliz se analisassem as coisas mais infames da vida. Esse foi o primeiro fracasso de Vincent. Ninguém se importava com suas palavras. Mesmo sendo um leitor assíduo de Dickens, Shakespeare e Victor Hugo, seus discursos eram fracos. Não bastava sem um grande pensador ou intelectual. As pessoas ao seu redor não ligavam.
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A Pair of Shoes, 1885
Quando tinha 30 anos resolveu largar a bíblia para pintar. Simples assim. Sem nenhum curso, sem nenhuma aula, sem saber manusear um pincel. Tomou essa decisão certo de que através de seus quadros poderia tocar os pobres. Mostrar a eles que seria possível sonhar mesmo vivendo de desgraças. Para Vincent, o paraíso estava nas coisas mais simples como as folhas das árvores, o sol, o vento batendo na cara... Vale lembrar que esses pensamentos otimistas não o livravam de seu temperamento grosseiro, irritável. Foi nesse período que conheceu sua grande musa: Sien, uma mãe sozinha e abandonada, igualmente miserável. Vincent considerava a convivência com ela como uma influência positiva para sua criatividade. Sua família ao saber das condições de vida que ele levava em Londres o rejeitaram, exceto seu irmão Théo que passou a apoia-lo em sua carreira como pintor.
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Sien retratada por Vincent, 1885
Seu primeiro grande quadro é o famoso “Os Comedores de Batata” de 1885. Vincent justificava as cores sujas, os tons escuros e a aparência “amarronzada” do quadro dizendo que queria mostrar que os comedores haviam arrancado as batatas do solo com suas próprias mãos, haviam conquistado aquela refeição através do esforço do trabalho honesto.
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The Potato Eaters, 1885
Logo em seguida, Vincent mudou-se para Paris e sua maneira de pintar também sofreu uma forte influência do espírito otimista parisiense, sendo visível através da presença de mais luz e cores em suas pinturas. Diferenciava-se dos demais impressionistas da época porque retratava a melancolia de Paris, os sentimentos negativos mais intensos como a raiva. Foi nesse período que conheceu Paul Gauguin e então, teve a ideia de unir-se a ele. A união não aconteceu de imediato porque Gauguin retornou para Londres enquanto Vincent permaneceu em Paris.
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Café Terrace at Night, 1888
Em 1888, Vincent partiu para Provença onde teria o ano mais frenético e angustiante de sua vida, tendo ao mesmo tempo a fase mais criativa de sua carreira artística. Foi nesse lugar que ele começou a pintar os campos de trigo e os girassóis, visíveis no quadro “O Semeador”. Vincent costumava definir seus quadros como grandes orgasmos. Curioso ou não, dizia também que transar e pintar muito não combinava, porque tanto uma coisa quanto a outra amolecia o cérebro.
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O Semeador, 1888
Théo resolveu patrocinar Gauguin com a condição de que o mesmo fosse trabalhar junto com Vincent. Mesmo receoso por ter que conviver com ele, Gauguin aceitou a proposta. Vincent não pintava baseando-se em questões estéticas, mas sim na emoção que seria possível passar através das cores selecionadas. Enquanto Gauguin não chegava, ele ansiava pela convivência dos dois e foi ai que surgiu seu vício por absinto. Conheceu nessas mesmas condições a família Roulin. Era uma família feliz, tranquila, normal e que fazia muito bem a Vincent por distrai-lo e tira-lo do modo de viver autodestrutivo. Chegava a dizer que os amava.
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Retrato do carteiro pai de família, Joseph Roulin, 1888
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Sra. Roulin, 1888
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O jovem Armand Roulin, 1888
Gauguin finalmente começou a viver com Vincent, mas a relação dos dois não ficou nada bem depois de um mês. Tinham filosofias artísticas muito diferentes. Enquanto Gauguin considerava o ato de pintar como algo passageiro, uma inspiração que vem e vai, Vincent jurava que pintar era dar todo o suor e trabalho para concretizar algo real, permanente. Sua alta produção, às vezes com direito a mais de um quadro por dia, começou a irritar Gauguin, despertando nele um sentimento de inveja. Tomado por isso, pintou o quadro “Van Gogh pintando girassóis”, algo chulo, representando Vincent com o rosto desajustado, como um simples pintor sentado analisando um vaso. Reduziu a intensidade dele meramente a isso. Quando viu o quadro, Vincent disse que Gauguin havia o retratado como um louco.
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Van Gogh pintando Girassóis por Paul Gauguin, 1888
Com o relacionamento cada vez pior, Gauguin o abandonou numa certa noite para dormir num hotel. Vincent, por volta da meia noite, foi ao seu bordel favorito e entregou para uma das prostitutas um papelote. Nele estava embrulhado um pedaço de sua orelha. Na parte da manhã quando Gauguin resolveu retornar ao estúdio, encontrou policiais e sangue por toda parte. Esse famoso acontecimento levou Vincent a internar-se num hospício, temendo que nunca mais se recuperasse, tendo espasmos de loucura sem cura que o levavam a comer a tinta de seus próprios tubos.
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Autoretrato com a orelha cortada, 1889
No hospício Vincent começou a aperfeiçoar sua pintura. Em 1889 pintou seu último autorretrato e considerou que tentar suicídio era como recuar da margem de um rio ao ver que a água é fria. Théo decidiu manda-lo para Auvers Sur Oise, lugar um pouco distante de Paris, sob a vigia do Dr. Paul Gachet.
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Dr Paul Gachet, 1890
É nessa fase que Vincent começou a revolucionar seu modo de pintar. Sua recuperação chegou a ser cogitada já que era visto vivendo bem, recebendo a visita dos familiares e feliz. Théo acreditava que finalmente seu irmão estava salvo, mas não era isso que realmente acontecia.
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Seu último Autorretrato, 1889
Eis o quadro revolucionário, a grande obra prima de Vincent van Gogh: O Campo de Trigo com Corvos, pintado um pouco antes de sua morte.
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Campo de Trigo com Corvos, 1890
Foi sua primeira obra vendida e reconhecida graças à falta de perspectiva, já que ao observar o quadro não sabemos exatamente para o que estamos olhando, e os corvos que aparentam ora voar para longe, ora voar para perto, além das cores pulsantes. O quadro era um bloco de cor vivo e inaugurou o Modernismo e o Expressionismo.
Vincent estava no ápice de sua carreira, artisticamente lúcido, mas a loucura continuava a destruir seu lado emocional. Não suportava mais os espasmos e acompanhado por isso, surgia a ideia de que sua família havia o abandonado de vez.
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Skull With Cigarette, 1886
Théo o encontrou morto em seu estúdio. Vincent havia dado um tiro no próprio abdômen e já estava completamente inconsciente. Havia cometido suicídio e a tentativa de salva-lo foi em vão. Théo morreu um ano depois por causa de uma doença grave.
Vincent morreu com a esperança de que teria seu trabalho reconhecido pela emoção que sempre depositava em cada pincelada. É revoltante saber que poucos anos depois, seus quadros começaram a ser vendidos por milhões. O importante e, talvez, confortante é ter noção de que pelo menos hoje em dia sua obra é reconhecida e emociona milhares de pessoas ao redor de todo mundo.

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TRISTEZA FAZ (P)ARTE

por  em 14 de jul de 2012 às 18:45 | 1 comentário
Gaúcho de Restinga Seca, Iberê Camargo era um artista que não se conformava com a morte. São temas recorrentes em sua obra a solidão, o abandono e a falsidade. Apesar de dialogar com várias correntes artísticas, Iberê não se prendeu a nenhum movimento específico. Através da tinta escavou a vida. Nunca o resultado final estava bom, característica presente também em sua vida, manifestando-a através da recusa ao limite. E isso refletiu em toda sua obra, composta por mais de 7 mil trabalhos de pinturas, gravuras e desenhos, marcados pelo vigor e pela dramaticidade.
“Só a imaginação pode ir mais longe no mundo do conhecimento. Os poetas e os artistas intuem a verdade. Não pinto o que vejo, mas o que sinto.”
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“A minha pintura, sombria, dramática, suja, corresponde à verdade mais íntima que habita no íntimo de uma burguesia que cobre a miséria do dia-a-dia com o colorido das orgias e da alienação do povo. Não faço mortalha colorida.”
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Na fase mais madura de sua produção, destaca-se o famoso conjunto de obras conhecido como “Os Carreteis”, seus brinquedos favoritos na infância e presentes até o fim de sua produção. Resguardados na memória do artista, foram incorporados a partir de 1958, período em que ele adquiriu uma hérnia de disco e necessitou ficar em casa. Nessa época, através do carretel explorou questões formais na arte, como a geometrização.
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“À medida que envelhecemos, parece que a infância fica mais perto. Sentimos vontade de reencontrar os primeiros amigos e tudo que foi nosso.”
Após um trágico incidente ocorrido no Rio de Janeiro na década de 80, Iberê retorna ao Rio Grande do Sul, depois de muitos anos vivendo na capital carioca. Buscava a tranquilidade após ter sido atacado por um desconhecido na rua, reagindo e matando o agressor com dois tiros, em legítima defesa. Através de relatos da família e de amigos próximos, o ocorrido transformou o artista e sua arte. Nesta fase surge o conjunto de obras que exibe figuras pedalando sem rumo, chamado “Os Ciclistas”.
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“Sou um andante. Carrego comigo o fardo do meu passado. Minha bagagem são os meus sonhos. Como meus ciclistas, cruzo desertos e busco horizontes que recuam e se apagam nas brumas da incerteza.”
A década de 90 é marcada por sua última fase com a série “As Idiotas”, composta por personagens sentadas em bancos de praça, com o olhar vago, perdido. São obras que remetem à morte, à solidão, o abandono, à tristeza.
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“As figuras que ora povoam os meus quadros (elas mesmas são os quadros) nascem da saga, da vida que dói. Elas envolvem-se na tristeza dos crepúsculos dos dias de minha infância, guri criado na solidão da campanha do Rio Grande do Sul.”
O artista era filho de ferroviários, iniciando o desenho aos quatro anos e idade. Aos treze ingressou na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria, onde ganhou seu primeiro prêmio de pintura. Com dezoito anos adquiriu seu primeiro emprego como desenhista do 1º Batalhão Ferroviário de Jaguari. Na sequência, também atuou como desenhista na Secretaria de Obras Públicas do Rio Grande do Sul. Em 1939 casou-se com Maria Coussirat, professora de desenho e sua principal incentivadora. Iberê viveu cerca de dois anos na Europa. Frequentou museus e estudou com De Chirico, Petrucci, Achille e André Lhote. Interessado pela gravura, trouxe uma prensa para o Brasil, formando uma geração de gravadores no Rio de Janeiro. Seu lado cômico e extrovertido, pouco conhecido, está presente em seus cartuns, ironizando políticos como José Sarney, Fernando Collor e Pedro Simon, com seu personagem Maqui, nos jornais “O Pasquim” e “Terceira Imagem”. Liderou também uma mobilização pela redução das taxas de importação de materiais para pintura, cansado da má qualidade das tintas fabricadas no Brasil, levando a questão ao então presidente Getúlio Vargas, promovendo exposições contra os impostos abusivos.
“Arte, para mim, foi sempre uma obsessão. Nunca toquei a vida com a ponta dos dedos. Tudo o que fiz, fiz sempre com paixão.”
Iberê Camargo morreu em agosto de 1994, pouco antes de completar 80 anos, vítima de câncer. Sem dúvida seu desejo de permanência, definição por ele citada, foi realizado. Sua obra foi preservada graças a sua incansável viúva, Maria Coussirat Camargo, de 96 anos, idealizadora do projeto da Fundação Iberê Camargo, criada em 1995.


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AS CINCO VERSÕES DE O GRITO DE EDVARD MUNCH

em Arte por  em 27 de ago de 2012 às 15:53
A célebre pintura de Edvard Munch possui cinco versões executadas em diferentes materiais e técnicas. Veja todas elas aqui.

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Esta é a versão mais conhecida, pintada em 1893 em óleo e pastel sobre cartão, encontra-se exposta na Galeria Nacional de Oslo.
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Versão que também data de 1893, feita a lápis, pode ser vista na Galeria Nacional de Oslo.
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Executada em têmpera sobre cartão, em 1910, esta versão podia ser vista na Galeria Nacional de Oslo até 2004, quando foi roubada. Recuperada em 2006, a obra apresentava danos irreparáveis segundo especialistas.
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Versão de 1895, feita em pastel sobre cartão, pertencia a uma coleção particular e em maio de 2012 tornou-se a obra mais cara arrematada em um leilão, vendida por US$ 119,9 milhões.
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Como todas as outras obras de arte que tornam-se "fenômenos" de popularidade, para atender a demanda gerada por revistas e jornais, em 1900, Edvard Munch criou esta litografia. A base feita de pedra foi destruída pouco tempo depois.


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